Praça Deák Ferenc - Foto: Viktor Komlósi
09 Dezembro 2009
08 Dezembro 2009
Natal em Berlim
Foto: Reuters/AG
Foto: Reuters/AG
Unter den Linden (Sob as Tílias) com a Porta de Brandeburgo ao fundo, em Berlim (Alemanha) - fotos enviadas por Grzegorz Sobkowiak
07 Dezembro 2009
Natal em Viena
06 Dezembro 2009
Natal em Praga
Foto: © Radek Cihla, MF DNES
A Praça da Cidade Velha (Staroměstské náměstí), em Praga (República Checa) - Foto enviada por Milan Vocelka.
05 Dezembro 2009
John Rabe
Há muitas maneiras de ver este filme. Mas creio que a melhor é mesmo vê-lo de coração aberto. A história é real: retrata o massacre de Nanquim. Em 1937, a cidade chinesa de Nanquim caiu nas mãos das tropas japonesas, que massacraram mais de 300.000 pessoas. É este o pano de fundo de John Rabe, apresentado em Fevereiro no Festival de Berlim. É preciso, antes de mais, dizer que Ulrich Tukur, o actor que veste a pele de John Rabe, o faz de uma forma avassaladora. Tão avassaladora que levou para casa o prémio de melhor actor nos Deutscher Filmpreis deste ano. John Rabe era director da Siemens Naking quando as tropas japonesas atacam a cidade em Dezembro de 1937 - há 72 anos. Rabe encabeça o Comité Internacional para a Zona de Segurança de Nanquim, que permitiu salvar a vida a cerca de 200.000 chineses aquando da tomada da cidade pelos nipónicos.
Não deixando de haver muito sangue a jorrar durante o filme todo, John Rabe parte dos preconceitos que existem entre os vários membros do comité, para se centrar nos dilemas morais e no sacrifício pelo outro. E são vários os dilemas com que as personagens se defrontam. A fronteira entre certo e errado é muito ténue. Valerá a pena salvar uma vida e sacrificar tantas outras? A cena em que é dada a John Rabe a possibilidade de escolher 20 prisioneiros para ser ressarcido da execução do seu motorista é desconcertante em si. Na guerra uma vida vale muito pouco. Há competições de degolação, há execuções em massa, há corpos que se amontoam, que tapam buracos, há manchas de sangue por toda a parte... e há uma pequena história de amor. Ou duas, se calhar. Poder-se-ia falar até da história de desamor de Valérie Dupres. Poder-se-ia falar do amor de Rabe ao próximo. Poder-se-ia falar de muita coisa.
A história de John Rabe e do massacre de Nanquim não é muito conhecida. Os seus diários só foram redescobertos recentemente. Hoje jaz em Nanquim, na China, cidade que lhe ficou eternamente grata. E este filme é uma bela homenagem. Comovente, diria eu.
04 Dezembro 2009
03 Dezembro 2009
Joseph Conrad
Entre os 17 e os 37 anos, Józef Teodor Konrad Korzeniowski passou a sua vida quase exclusivamente no mar. Foi dessa altura a afirmação da língua que elegeria para escrever e o mundo em que teriam palco a maioria das suas histórias. O mar foi para ele o marco da aventura, que pintou como ninguém nas suas inabarcáveis variações, nos seus detalhes surpreendentes, nos seus abruptos contastes. O barco, cada barco, uma sociedade num espaço fechado no tempo de uma travessia. Contudo, a sólida estrutura de ideais, códigos morais e olhar apaixonado sobre a condição humana já estava no rapaz que elegeu o mar como forma de vida durante vinte anos.
Filho de um nobre polaco, Conrad, nascido a 3 de Dezembro de 1857, seguiu desde criança as penúrias familiares do exílio na Rússia imposto ao seu pai pelas suas actividades a favor da causa nacionalista. Tinha apenas 8 anos quando morreu a sua mãe e 11 quando morreu o seu pai, um homem culto, também ele escritor, que não só o conduziu nos seus primeiros gostos literários como também o formou nos seus altos ideais e nas suas preocupações morais que deixariam no filho, órfão ainda criança, também o olhar desolado de quem compara estes valores com a desmoralizante realidade. Em cada uma das suas histórias, sacudidas pelos ventos mais terríveis, ancoradas nas praias mais exóticas ou imobilizadas num mar desesperadamente imóvel, aparecerão uma e outra vez, juntamente com a luta do homem com os elementos, a antiga luta entre o bem e o mal, a acção surgida da busca moral, o sentimento de solidão perante o mundo e os homens. Os estritos códigos da marinha, cuja obediência se torna imprescindível para que o navio chegue ao destino, chegarão para completar esta estrutura de valores em que a honra, a palavra e o cumprimento do dever definiam o homem. Enquanto o mar encarnou a paixão num espírito apaixonado. "Uma paixão súbita, feita e ávida impaciência, correu de repente pelas minhas veias e despertou em mim uma sensação de vida intensa que até então ignorara, e não voltei a experimentar depois. Então descobri até que ponto eu era marinheiro de coração, de pensamento e, por assim dizer, fisicamente; um homem que só se interessava pelo mar e pelos barcos: o mar, o único mundo que contava, e os barcos, pedra de toque da virilidade, do temperamento, do valor e da fidelidade... e do amor", disse em A Linha de Sombra.
Por isso, se é impensável não situar os contos de Conrad entre os livros de aventuras, não há um só em que o carácter das personagens, as suas dúvidas, os seus temores, os seus sonhos, as suas paixões, a construção de um destino pessoal, não participem activamente na história. Destinos pessoais, porém, nos quais não há façanha que baste para neutralizar o cepticismo do seu criador. "O capitão MacWhirr tinha atravessado a superfície dos oceanos como algumas pessoas atravessam os anos de existência para fundir-se suavemente na plácida sepultura, ignorando completamente a vida e sem terem sido obrigadas a contemplar tudo quanto pode conter a perfídia, a violência e o terror. No mar e na terra há homens tão afortunados ou tão desdenhados pelo destino ou pelo mar", escreve em Tufão.
Quando Conrad decide deixar para trás a sua vida no mar e estabelecer-se em Inglaterra, já tinha escrito o seu primeiro romance A Loucura de Almayer, que teve um excelente acolhimento pelos leitores e pela crítica. A língua que elegeu para escrever foi a quarta que falou depois do polaco, do russo e do francês, convertendo-se num doas maiores escritores em inglês. Reconhecido desde o princípio mesmo pelos seus pares, o seu caminho não foi fácil nem livre de dificuldades económicas. De humor entristecido e com alto grau de auto-exigência, Conrad sofreu com cada um dos seus contos, sentindo-se sempre perante um projecto irrealizável, sem importar o êxito da sua realização. Dois ou três anos antes da sua morte, em 1924, o êxito alcançado começou a traduzir-se em melhorias económicas. Na mesma época em que deixou a sua vida de aventura, casou e mais tarde teve dois filhos.
Tanto a força das suas personagens como a intensidade das suas histórias unidas à sua bela e apaixonada escrita não podiam deixar indiferente o cinema. Com desigual resultado, muitos dos seus contos foram levados ao ecrã, alguns mesmo em mais do que uma versão. Entre as mais recordadas estão Lord Jim de Richard Brooks, Sabotagem de Hitchcock, baseado em O Agente Secreto, e O Duelo de Ridley Scott. Francis Ford Coppola colocou a história que Conrad situou na horrorosa colonização belga no Congo, em O Coração das Trevas, na não menos horrorosa guerra do Vietname, em Apocalipse Now. Marlon Brando foi o seu inesquecível Kurtz.
Mónica Tracey (poeta e jornalista argentina)
Revista Quid n.º 15, Abril/Maio 2008
Tradução: Gonçalo Figueiredo Augusto
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